Modelagem Matemática
MODELAGEM MATEMÁTICA: UM CONCEITO QUE PODE AJUDAR O
PROFESSOR
Na palestra "Matemática - História da Modelagem
Matemática no Ensino Brasileiro", Maria Salett Biembengut explica
como aproximar a disciplina da realidade do aluno.
O tema pode parecer árido. Mas foi com a precisão
das ciências exatas que a doutora em Matemática Maria Salett Biembengut
apresentou a palestra "Matemática - História da Modelagem
Matemática no Ensino Brasileiro", no espaço Fala, Professor!,
dia 14 de março, durante a Bienal do Livro de São Paulo.
Maria Salett mostrou inicialmente as diferenças entre
modelo e modelagem: o primeiro é uma representação, enquanto
o segundo é um processo que permite chegar ao modelo. O projeto do telefone,
por exemplo, é um modelo. A modelagem é o processo que levou à
criação desse modelo, que sofreu modificações ao
longo do tempo, mas manteve a idéia do modelo original.
"Quem faz a modelagem é quem cria", disse
ela, dando como exemplo o trabalho de um cientista, diretor de filme ou engenheiro.
"Para fazer a modelagem é preciso ter conhecimento da área
que estou trabalhando, ter intuição e censo lúdico."
Segundo Biembengut, a modelagem na matemática é
um processo que faz parte da construção da História. "É
um método de pesquisa e de criação."
No início do século 20, várias idéias
surgiram na tentativa de aproximar a Matemática do dia-a-dia do aluno.
Na década de 1960, pesquisadores da Dinamarca e Holanda começaram
a discutir a modelagem matemática como ferramenta de ensino. Esse pensamento
foi trazido para o Brasil entre as décadas de 60 e 70 por matemáticos
brasileiros que participavam de congressos internacionais.
A proposta era a seguinte: já que a modelagem faz parte
da criação humana, é um método, um processo de pesquisa,
devemos fazer uso dela na sala de aula para que o aluno aprenda Matemática
e, ao mesmo tempo, a fazer pesquisa. O aluno, então, escolheria o tema
que queria estudar e, a partir dele, usaria a modelagem para chegar à
solução do problema, de acordo com a orientação
do professor.
Depois de várias experiências, verificou-se que
não é possível usar esse conceito de modelagem na estrutura
escolar atual, segundo Maria Salett. É possível, no entanto, adaptar
a modelagem matemática ao ensino. "O professor deve fazer uma adaptação
para ensinar o conteúdo matemático", disse ele, citando o
exemplo da produção de embalagens para refrigerantes: para a produção
da embalagem, os alunos devem pensar, pesquisar, fazer cálculos.
"O professor deve começar apresentando o tema aos
alunos e, a partir dele, reconstruir o modelo matemático que quer trabalhar",
disse. Como método de ensino, o professor pode usar a modelagem da seguinte
maneira: expor o assunto, delimitar o problema, desenvolver o conteúdo,
apresentar exemplos, resolver e interpretar o problema. Dessa forma, ele pode
usar um outro modelo matemático para outro conteúdo, ou o mesmo
modelo para outro conteúdo.
"Esse tipo de método tem dado resultado positivo,
mas não faz milagre. Se você tem um aluno que não está
interessado, você pode ser o melhor educador do mundo, e não vai
adiantar. Só aprende quem quer. Para que o outro aprenda, ele tem de
querer, não há milagre", concluiu Maria Salett.
leia
mais
|